O tempo é algo que nos aprisiona. Imagine se você não tivesse com a certeza das horas? Já imaginou sua vida sem essa responsabilidade com horários, com compromissos pautados no tempo. Seria a liberdade plena. O tempo é uma prisão tão voraz que não deixa nós caminharmos por ele. A teoria científica se esmera até hoje em tentar provar a viagem no tempo, mas até hoje não conseguiram. O tempo é relativo cientificamente, pois se um astronauta viajar para outro planeta, viajando anos luz, o tempo pra ele é “x” e o nosso é bem menor. Não temos o poder de voltar. O tempo se relativiza também no estado das coisas. Para uns, uma hora é um tempo absurdo (principalmente quando estamos esperando algo ou alguém para alguma ocasião), para outros passa sem notar-se (principalmente quando estamos nos divertindo). Como entender este mistério?
Confesso não ter uma intelectualidade tão exacerbada para de fato compreender o tempo. Tudo bem. Conhecemos o termo grego, “Chronos”, que nos dá a idéia de tempo finito, mensurável e o “Kairós”, a ausência de tempo ou eternidade. Na teoria é muito interessante, mas compreender de fato e muitas vezes aceitar é muito difícil. Difícil quando o nosso tempo está passando por situações tempestuosas, quando não dá tempo de resolver algo, quando demoramos em encontrar algo ou alguém que gostaríamos de ter naquela hora. Dura servil é o tempo. Uma verdadeira prisão. O tempo gera ansiedade quando mal administrado. O tempo trás frustração quando antecipado. O tempo pode ser um grande problema.
Pergunto-me sobre nós, quem somos neste tempo? Somos escravos a mercê do tempo, não podemos se quer adiantar um instante em nossas vidas, e para aqueles ousados que tentam, acabam se ferindo e colhendo frutos amargos. Somos tão limitados, que nosso tempo em vida nessa terra é escasso. Não temos uma longevidade assegurada, muito pelo contrário, vivemos até 100 anos e já somos considerados vencedores por chegar tão longe. Quando dentro da prisão do tempo conquistamos algo palpável já somos considerados bons mas vem a morte e de forma cruel diz que não. Quando nós conseguimos administrar bem nossos horários, fazer uma boa gestão dos compromissos e viver de forma tranqüila nesta prisão, temos que nos privar da liberdade de poder escolher o que queremos na hora em que queremos (isso por sinal é impossível). Nós somos no final da história, meras criaturas limitadas ao tempo sem nenhuma perspectiva de vencê-lo.
Mas existe algo que me dá esperança. Um ser completamente alheio ao tempo. Um ser que transita por ele sem se importar muito com ele. Um ser que nos liberta dele. Jesus Cristo veio a esta terra dizer que o tempo não nos aprisiona mais e nos trazer a esperança da eternidade. Em Isaías, o profeta diz que aqueles que “esperam no Senhor” subirão com asas como águia. Sempre quando leio isto tenho a sensação que Deus nos faz maior que o tempo. Jó declarou que o ainda que morresse, veria seu redentor. Jó sabia da eternidade e por isso suportou a dor. Muitas vezes a esperança do eterno será nossa única arma para suportar o tempo. Deus é a única esperança para aqueles que encontram no tempo a dor de não ver solução e a incerteza do futuro. A grande sacada para vencer o tempo é entregá-lo para quem pode cuidar melhor dele. Sempre quando me vem a certeza do tempo, eu vejo a segurança da renúncia. Viva seus dias em consonância com o altíssimo sabendo que tudo provém d’Ele. Ele é o dono do tempo, por que não entregar o nosso tempo finito a quem pode nos dar em troca a eternidade?

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